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segunda-feira, 28 de março de 2011

Esperança sem fim: mãe procura filha desaparecida no Complexo do Alemão


“Como mãe, eu tenho o direito de saber o que aconteceu com minha filha. Só preciso de uma reposta, saber se ela está viva ou morta para enterrá-la com dignidade”.
Cinco anos se passaram desde que a estudante Geise Keli Carvalho da Silva, na época com 18 anos de idade, deixou sua residência no Boaçu, em São Gonçalo, e seguiu para a Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Antes de sair de casa, como habitualmente fazia, despediu-se com um beijo da mãe, a auxiliar de creche Márcia Cristiane de Oliveira Carvalho, 47, e pediu para que ela não ficasse preocupada.
A ida da jovem ao quartel-general da facção Comando Vermelho (CV) – até então considerado intransponível para os agentes de segurança do Estado – tinha um motivo: “desenrolar uma situação” com o então chefe do tráfico de drogas no Complexo do Boaçu e gerente das bocas-de-fumo da comunidade de Inhaúma.
Acusada de ser X-9 (informante da polícia), ela seguiu com dois amigos ao encontro do traficante, às 16h30 do dia 8 de julho de 2005, e nunca mais voltou para casa. O caso foi registrado na 72ª DP (Mutuá) e, em seguida, encaminhado à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH/Nit-SG), onde permanece sem solução.
Entretanto, as esperanças da auxiliar de creche encontrar a estudante ganharam força com a ocupação das 12 favelas que compõem o conjunto de favelas da Zona Norte do Rio, ocorrida no dia 26 de novembro do ano passado. Acompanhamos, no Complexo do Alemão, a peregrinação da mãe que, nos últimos cinco anos, fez de sua vida uma busca diária por respostas para o desaparecimento da filha.
Ao chegar à Rua Antônio Austragésimo, um dos acessos à Favela da Fazendinha, Márcia comentou que sentia a presença de Geise naquele local e se emocionou ao falar do envolvimento da filha com as drogas e com traficantes.

“Perdi as contas de quantas vezes entrei em favelas, como Menino de Deus e Querosene, para buscá-la no meio da boca de fumo. Ela, sempre muito carinhosa comigo, me abraçava, dizia que ali não era lugar para mim e aceitava voltar para casa”, contou emocionada, enquanto colava um cartaz no poste com a foto da jovem e o telefone para informações sobre sua localização.
Um funcionário do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) se aproxima e comenta que o rosto de Geise lhe é muito familiar.
“Ela mora aí pra cima com certeza e tem até uma filhinha”, afirmou.
Sem querer se identificar, ele se propôs a acompanhá-la até à Rua da Torre, um dos acessos ao teleférico do Complexo do Alemão, onde teria visto a jovem pela última vez. No caminho, o homem conta que histórias como a de Geise eram comuns durante o período em que a comunidade ficou sob o domínio de traficantes fortemente armados.
“Cansei de ver vans e kombis, com placas de São Gonçalo e Niterói, lotadas de meninas usando drogas e se relacionando com traficantes. É curioso ver como esse submundo as atraem”, disse.
Em cada comércio, beco ou viela onde Márcia colava o cartaz, as esperanças se renovavam com a resposta sempre muito parecida dos moradores: “Já a vi por aqui sim”. Muitos se propuseram ajudá-la nas buscas, mesmo sob o clima de tensão e incerteza sobre a permanência das forças de segurança na região.

Após três horas de procura, a frustração de não encontrar a estudante se misturou com o sentimento que Márcia afirma que só quem é mãe pode sentir: a certeza de que a filha está viva.
“Mesmo não a encontrando, meu coração de mãe diz que ela está viva. Por isso, independente de qualquer coisa que a Geise tenha passado ou sofrido, estarei sempre pronta para recebê-la de braços abertos, sem questionamento algum. Desde quando ela desapareceu, peço a Deus todos os dias que me dê uma reposta sobre o seu paradeiro. Eu não posso morrer sem saber o que aconteceu com a minha filha”, desabafou emocionada.
Quem tiver informações que auxiliem na localização de Geise, pode ligar para o Disque-Denúncia, através do telefone 2253-1177. O anonimato é garantido.
FONTEhttp://robertatrindade.wordpress.com/2011/01/17/buscas-no-alemao/

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