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domingo, 13 de março de 2011

Fuzil da Polícia Civil some e reaparece no Alemão


Nove meses depois que três armas ‘desapareceram’ de dentro de viatura oficial, uma delas foi encontrada por policiais militares em um esconderijo de traficantes

POR CHRISTINA NASCIMENTO
Rio - Um fuzil de lote de material bélico doado pela Marinha do Brasil à Secretaria Estadual de Segurança acabou nas mãos de traficantes do Complexo do Alemão. O esquema foi revelado com a apreensão do FAL 7.62, marca Imbel, número de série 26.7208, em janeiro, pela Polícia Militar, na Favela da Grota. A arma, que estava em poder da Polícia Civil, apareceu na comunidade meses após ter ‘desaparecido’ com outros dois fuzis e três carregadores — com 30 cápsulas cada — de dentro de uma viatura na Zona Oeste.

As armas teriam ‘sumido’ em abril. Segundo o registro de ocorrência, os dois policiais civis responsáveis pelo armamento — lotados, na época, na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) — alegaram que deixaram a viatura estacionada, com os fuzis dentro, na perícia técnica de Campo Grande, na Estrada do Mendanha, no dia 5 de abril.
Arte: O Dia
Arte: O Dia
Mas, por causa de fortes chuvas na cidade, os agentes só retornaram para buscar o carro no dia 9, quando deram falta dos três fuzis — um deles o de número 26.7208 — e dos carregadores. No registro de furto feito pela dupla de policiais, não há qualquer menção de que a Blazer da Polícia Civil tenha sido arrombada, que os vidros tivessem sido quebrados ou que houvesse sinais do uso de equipamentos como pé-de-cabra para roubar o material .

O fato é que, da saída do paiol da Marinha até a descoberta do esconderijo do Complexo Alemão — onde foi encontrado por uma equipe do 14º BPM (Bangu) ao lado de 17 quilos de cocaína —, o fuzil ‘desaparecido’ percorreu um longo caminho. A arma faz parte de um lote de 40 fuzis e 80 carregadores que haviam sido doados pelas Forças Armados em março de 2008 para a Polícia Militar. Um ano e sete meses depois, o arsenal foi emprestado por contrato de cessão para a Polícia Civil, que tem até o fim de dezembro para devolver todo o armamento cedido.

Caso está sob investigação da Corregedoria Unificada

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que, devido à complexidade do caso e a indícios de fraude no registro de ocorrência, as investigações do furto dos três fuzis e dos carregadores na viatura da instituição estão a cargo da Corregedoria Geral Unificada (CGU).

Lá, o inquérito foi instaurado no dia 12 de abril e, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança, encontra-se em fase de conclusão.

A Polícia Militar informou que as armas foram emprestadas de acordo com o contrato 001-2009/EMG-PM4. E, segundo o que prevê a cláusula quinta do documento, em caso de extravio ou danos ao armamento, a Polícia Civil deve apresentar, no ato da devolução, cópia do documento mostrando que apurou os fatos, além de ressarcir a PM com outro equipamento.

Arsenal deixado por fugitivos virou alvo da cobiça de policiais

A retomada de território feita pelas forças de segurança nos complexo da Penha e do Alemão resultou na apreensão de quase 500 armas. Somente fuzis, foram mais de 140. O arsenal em poder dos traficantes se tornou alvo da cobiça de maus policiais, conforme revelaram investigações que culminaram com a Operação Guilhotina, da Polícia Federal (PF).

Em conversas interceptadas em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a região dos complexos do Alemão e da Penha foi apelidada de Serra Pelada em um dos diálogos ( leia matéria publicada no blog no link: http://tudodeinhauma.blogspot.com/2011/02/recomeca-no-complexo-do-alemao-e-na.html ). O ‘ouro’ era tudo o que os criminosos deixaram para trás quando fugiram.

A PF flagrou, por exemplo, o inspetor Leonardo da Silva Torres, o Torres Trovão, comentando sobre a existência de R$ 2 milhões no Alemão.

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