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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mil correm pela paz no Alemão, 6 meses depois

Patrícia Villalba / RIO - O Estado de S.Paulo
Seis meses depois que as impressionantes imagens da fuga de traficantes da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, prenderam a atenção do País, o terreno acidentado da rota foi tomado ontem por mil atletas. Eles aceitaram o Desafio da Paz proposto pelo grupo cultural AfroReggae.
Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Ocupação. Disputa percorreu 4.850 metros no terreno acidentado do Complexo do Alemão: vencedores ganharam R$ 40 mil
"Era a rota da fuga, agora é a rota da paz", disse o governador Sérgio Cabral, que não pôde correr por causa de operação no joelho. A corrida celebrou a ocupação do morro pelas forças do Estado, em 25 de novembro.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, participou da prova com um pelotão de 40 homens do Bope, a tropa de elite da Polícia Militar. Beltrame completou o percurso de 4,8 quilômetros em 37 minutos.
A corrida reuniu moradores da comunidade e de diversos bairros da cidade, além de atores como Tiago Fragoso e Du Moscovis, policiais civis e militares, soldados do Exército e políticos, como os senadores petistas Eduardo Suplicy e Lindberg Farias.
No grupo de elite, Franck Caldeira, um dos maiores maratonistas do País, foi o primeiro a concluir o percurso, em 16 minutos; entre os moradores da comunidade, o vencedor foi o gari José Carlos Barreto.
Eles receberam R$ 6 mil cada, de uma premiação total de R$ 40 mil, divididos entre quatro categorias. "Foi fantástico participar, mas mais do que como atleta vim aqui agregar meu nome como cidadão", resumiu Caldeira, na chegada, em um ponto da Rua Canitá, em Inhaúma. "Violência existe em qualquer lugar. Aqui, foi aberta uma brecha para a paz entrar. Então, precisamos aproveitar o momento."
Calendário. Alda Rodrigues, de 75 anos e moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e Carolina Heliodora, de 32 anos e moradora da Tijuca, na zona norte, foram pela primeira vez ao Alemão. "Quis vir porque é um momento importante, e por ser um circuito diferente. Mas dá pra ver que ainda falta fazer muita coisa por aqui", anotou Carolina. "Acho que deveriam aumentar o percurso para oito quilômetros. Foi muito fácil", opinou dona Alda, toda prosa, ao concluir o percurso em 41 minutos.
"Tem mais gente do que na zona sul!", espantou-se um morador que assistia à largada, no Campo da Ordem, na Vila Cruzeiro. De fato, a corrida teve tudo o que uma grande prova de rua tem direito, de torcida animada a corredores fantasiados - agitador na concentração, um "mosquito da dengue" meio trôpego foi um dos últimos a largarem, bem atrás de um "incrível Hulk", que terminou a prova com louvor, mas com a maquiagem quase toda derretida.
E, para deixar claro que a paz chegou ao Alemão para ficar, organizadores anunciaram que o desafio já entrou para o calendário oficial da cidade. A notícia animou o autônomo Jorge Silva Moreira, de 42 anos, que chegou a se inscrever mas acabou desistindo de correr. "Pois é, agora que vi que tem vários conhecidos que bebem como eu e estão correndo, fiquei arrependido. Mas no ano que vem, estarei ali, com certeza", prometeu.
Oportunidade
Franck Caldeira
MARATONISTA, CAMPEÃO DA SÃO SILVESTRE EM 2006, VENCEDOR DA CORRIDA DA PAZ
"Violência existe em qualquer lugar. Aqui, foi aberta uma brecha para a paz entrar. Então, precisamos aproveitar o momento"
FONTE: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110516/not_imp719693,0.php

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