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terça-feira, 6 de setembro de 2011

CONFRONTO NO COMPLEXO DO ALEMÃO CONTINUA

Moradores e militares entram em conflito novamente no Alemão

 

POR RICARDO ALBUQUERQUE

Rio - Moradores do Complexo do Alemão denunciaram na madrugada desta terça-feira mais um confronto com militares da Força de Pacificação, na região da Alvorada, no alto do morro, no mesmo lugar onde ocorreu um tumulto neste domingo à noite. Os relatos indicam que os soldados do Exército teriam desligado as luzes da Rua 2, perto da Estação do Teleférico Itararé, e disparado balas de borracha em direção das pessoas.
Antes do novo conflito, moradores jogaram entulhos no meio da pista | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
"Eles não deixaram ninguém subir nas lajes nem ficar nas janelas. A gente não podia assistir ao que acontecia direito porque eles mandavam bala para cima de nós. A rua estava muito escura porque eles desligaram as luzes. Não sei se tem gente machucada, mas acho que não está certo porque todo mundo está sendo prejudicado.  Além do mais, o Exército está mostrando que é tão violento quanto os traficantes que ocupavam o morro", disse uma moradora, que pediu para não ser identificada.
Duas horas antes do novo confronto na Rua 2, os bombeiros do quartel da Penha foram chamados para a Avenida Itaoca, na entrada da Favela Nova Brasília, onde um grupo botou fogo em madeiras no meio da pista. Segundo moradores, o protesto durou aproximadamente 40 minutos. Ônibus chegaram a desviar a rota por outras ruas. De acordo com René Silva, da Voz da Comunidade, um grupo de motoqueiros começou a confusão.
Grupo realizou protesto na entrada da Favela Nova Brasília | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
O Exército confirmou que algumas pessoas foram detidas, mas não informou quantas. A mãe de Ivo Urbano da Silva, 21 anos, um dos jovens detidos, a empregada doméstica Josicleide Urbano da Silva, 44, esteve na porta da antiga fábrica da Coca-Cola, na Avenida Itararé, em Bonsucesso, onde funciona a base avançada dos militares. "Me disseram que ele foi preso perto da quadra na Fazendinha e foi espancado", disse ela.
Josicleide exibia uma moção de desagravo, expedida em 27 de junho de 2006 pela Alerj, quando o filho sofreu com a violência policial. "Como depois ficou comprovado que os policiais erraram, a Alerj fez essa moção, mas eu entrei com um processo contra o estado e, pelo visto, serei obrigada a entrar com outro. Não sou contra a pacificação, mas apelo para o bom senso: é inaceitável o que está acontecendo por aqui", lamentou. O Exército não comentou os fatos.
Tumulto no domingo
Dez meses após a ocupação da Força de Pacificação, moradores do Complexo do Alemão fizeram a primeira manifestação contra ação do Exército, responsável pela segurança da região. Eles acusam os soldados de terem agido com violência domingo contra um grupo de moradores em bar, quando quatro militares e cinco locais ficaram feridos. Em outra comunidade pacificada, a Cidade de Deus, também houve confusão domingo. PMs foram atacados após baile funk. Um policial e três moradores foram feridos.
Foto: Jadson Marques / Folhapress
Manifestação no Alemão reuniu cerca de 150 pessoas | Foto: Jadson Marques / Folhapress
No Alemão, foram estendidas oito faixas nas comunidades contra a Força de Pacificação. “O povo do Alemão é humilhado pelo Exército. Sai o Comando Vermelho, entra o Comando Verde”, dizia uma, em alusão à facção criminosa que dominava a comunidade antes da pacificação. Outra, pendurada na Estrada do Itararé, tinha os seguintes dizeres: “Governador trocou seis por meia dúzia. A ditadura continua”.
Na hora em que uma das faixas era colocada, um caminhão com soldados passou. Um soldado tinha um artefato nas mãos. O Major Bouças informou que o Exército não vai retirar faixas. “Não interferimos na vida das pessoas. Garantimos que a lei seja cumprida”. No início da noite, manifestantes protestaram na Estrada do Itararé.
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito para investigar a atuação dos militares. Duas procuradoras foram ao complexo nesta segunda-feira e conversaram com o general Cesar Leme Justo, comandante da Força de Pacificação.
Moradores contaram, durante o protesto, que passam por humilhações de soldados, que interferem até nas festas de aniversário. “Temos toque de recolher e pedimos autorização para tudo”, reclamou outro morador
“A Secretaria de Segurança se precipitou ao colocar o Exército no Alemão. O Exército tem outra função. Tiveram treinamento para entrar na favela, mas não sabemos até que ponto. As UPPs cumprem bem seu papel no que diz respeito ao controle territorial armado, mas falta canal permanente de interlocução com os moradores”, analisou o sociólogo Inácio Cano.
Armas não letais ferem moradores
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Moradora mostrou ferimento causado por arma não-letal nas costas | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
No domingo, militares usaram tiros de borracha, bombas e spray de pimenta contra moradores. Uma mulher atingida mostrou o ferimento nas costas. A confusão começou, segundo a Força de Pacificação, quando dez militares tentaram abordar dois homens em atitude suspeita na localidade Alvorada.
“Não sei dizer o que faziam, mas a comunidade impediu a detenção dos dois. Por volta das 17h, eles assistiam a um jogo de futebol bebendo. Bebem muito e cometem excessos”, explicou o Major Bouças, oficial de Relações Públicas da Força de Pacificação.
Moradores contaram que os soldados chegaram atirando e jogando bombas. Segundo alguns, traficantes expulsos deram ordens para que, em caso de problemas, eles partissem para o confronto com o Exército.
Pedras e garrafas nos PMs
Na Cidade de Deus, a confusão começou na Praça dos Apartamentos, após um grupo que estava no baile funk jogar pedras e garrafas nos PMs da UPP, na madrugada desta segunda-feira. O sargento André Luiz foi ferido por uma pedra e vidro da sede foi quebrado. Dois moradores teriam sofrido ferimentos leves. PMs contaram que foram separar um briga.
Comandante das Unidades de Polícia Pacificadora, coronel Robson Rodrigues garantiu que não é preciso mudar o policiamento. Após problema no Morro do Turano, equipes passaram a filmar ações nas comunidades pacificadas. “Adquirimos armas não letais e dialogamos com a comunidade. Não podemos achar que está tudo errado”, disse. O oficial prometeu que não acabará com o baile e vai analisar imagens para identificar agressores.
FONTE: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/9/moradores_e_militares_entram_em_conflito_novamente_no_alemao_190179.html

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