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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ex-chefe do tráfico, Tuchinha diz que crime não compensa


Virada que serve de exemplo muda de vida

Ex-chefe do tráfico, Tuchinha volta à Mangueira para ensinar que ‘o crime não compensa’

POR MARIA INEZ MAGALHÃES
Rio  - ‘A história que vou contar agora não ouvi de ninguém. Vivi na carne’. Assim, Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 48 anos, ex-chefe do tráfico na Mangueira, começou sua palestra nesta terça-feira na Vila Olímpica da comunidade onde nasceu e foi criado. Na cadeia, onde passou quase 18 anos, decidiu deixar o crime, e há dois meses conta a sua história na tentativa de mostrar aos jovens que o crime não compensa e que todos podem mudar de vida. Ele foi condenado por dois homicídios e associação ao tráfico.
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Tuchinha, que está em regime semiaberto, trabalha atualmente no AfroReggae e faz palestras contando sua história: do crime ao arrependimento | Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
“Perdi minha juventude na cadeia. Me arrependo. Quero mostrar aos jovens que o crime não compensa para que eles não precisem sofrer na carne o que eu sofri”, disse Tuchinha para mais de 50 pessoas. Entre os ouvintes, jovens da Mangueira, amigos antigos que deixaram o crime, filhos de colegas e a cantora Alcione.
A palestra marcou a sua primeira ida à comunidade após ser preso. Ele foi levado pelo grupo AfroReggae, onde trabalha atualmente. Ele foi preso em 2008 pela Polícia Federal e pela Divisão Antissequestro, em Aracaju, Sergipe, e está em regime semi-aberto (trabalha durante o dia e volta ao presídio Edgar Costa, em Niterói, à noite).
A Mangueira está ocupada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) para ganhar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
Visita a casa onde ficou encurralado
Tuchinha andou ainda pela comunidade e foi à casa onde morou. “Aqui, fiquei encurralado durante uma megaoperação da polícia. Vi três amigos morrerem. Escapei porque abri caminho à bala”, lembrou.
Ali, ele também relatou como vivia na comunidade e como eram as leis do morro. “Ficávamos ligados o dia inteiro. Uma vez encontrei um rapaz amarrado na fita crepe porque estava roubando lá embaixo (nas proximidades do morro). Ele ia morrer mas o pastor Rogério (que trabalha com o AfroReggae) pediu por ele. Mas muitos pagavam com a vida por desobedecerem”.
Venda de carro muda o rumo
Tuchinha entrou para o crime após vender um carro a ‘ gerente’ do tráfico na Mangueira e não receber. “Tomei o carro, e ele ameaçou me matar. Passei a andar armado para me defender e parei de trabalhar. Depois, comecei a roubar”, contou ele, que após convite do cunhado, Ricardo Gonçalves da Silva Gomes, o Ricardo Coração de Leão, virou traficante.
“Trabalhava muito e fiz o lucro aumentar”, disse o ex-integrante do Comando Vermelho.
Tuchinha mudou de facção e, quando foi preso, ficou em cela sozinho por medo de morrer. Ele conta que teve receio de ser morto por policiais para quem, segundo ele, perdeu mais de R$ 1 milhão após sequestro. “Aceitei ficar no Rio porque o AfroReggae me ajudou”.
FONTE: http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2011/10/virada_que_serve_de_exemplo_200248.html

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