Brasil: Isto é quanto o brasileiro já pagou de tributos de 01/01/2015 até 20/03/2015

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dois meses após tragédia em viaduto de Del Castilho, estruturas ainda oferecem risco no Rio


Dois meses após tragédia em viaduto de Del Castilho, estruturas ainda oferecem risco no Rio


Geraldo Ribeiro

Todas as vezes que passa pelo Viaduto Emílio Baumgart, em Del Castilho, perto de onde mora, a dona de casa Tânia Cristina da Silva Sanjurjo, de 50 anos, tem a sensação de reviver um terrível pesadelo. Nesta terça-feira, faz dois meses que seu filho Marlon Jean, de 18 anos, luta pela vida, no leito de um hospital, desde que foi atingido por um pedaço de reboco que caiu da estrutura e o atingiu na plataforma de embarque da estação da SuperVia, onde esperava o trem para ir trabalhar. O incidente transformou a vida da família, mas não alterou em quase nada o quadro em que se encontrava boa parte dos 139 viadutos da cidade. A grande maioria apresenta riscos para motoristas e pedestres.

Pai e irmão de Marlon mostram trecho ainda com problemas no viaduto de Del Castilho
Pai e irmão de Marlon mostram trecho ainda com problemas no viaduto de Del Castilho Foto: Luiz Roberto Lima / Extra

Das intervenções prometidas para o viaduto de Del Castilho, na ocasião do acidente, apenas obras emergenciais no trecho sobre a via férrea foram feitas. A recuperação estrutural anunciada ainda não saiu do papel. Ao circular pela cidade, é comum flagrar vegetação brotando do viaduto, pondo em risco a estrutura; rachaduras e concreto quebrado, blocos ameaçando se soltar e até vergalhões aparentes.

Pai do jovem atingido por reboco mostra o viaduto de onde concreto se desprendeu: obra até agora foi só um remendo
Pai do jovem atingido por reboco mostra o viaduto de onde concreto se desprendeu: obra até agora foi só um remendo Foto: Luiz Roberto Lima / Extra

- Quando passo sob um viaduto chego a ficar sem ar. Me dá revolta ver o estado do meu filho e vergonha de ser uma cidadã carioca, ao perceber que o drama dele sequer serviu de exemplo - afirma a mãe de Marlon.
O pai do jovem, João Pedro Matteo, de 50 anos, não faz outra coisa desde o dia do tragédia a não ser se dedicar ao filho. Por conta disso, colocou a vida profissional em segundo plano e, em risco, o seu segundo casamento, que entrou em crise. Um dos irmãos perdeu o emprego e o outro ainda está psicologicamente abalado.
- A vida de um jovem foi destruída, assim como seus sonhos e de seus familiares, diante de tanta dor e tristeza - diz o pai, acrescentando que o filho queria seguir carreira militar e cursar Engenharia Civil. - O acidente destruiu a minha família. Todos foram afetados de alguma forma. A mãe hoje é uma pessoa triste e chorosa. Os irmãos sofrem os reflexos desse drama. Minha vida pessoal, profissional, familiar e conjugal foram abaladas. Mas o que mais me entristece foi a total falta de apoio das autoridades. Ninguém veio perguntar se a família precisava de apoio psicológico ou financeiro. Até para ver meu filho no hospital tive de recorrer à Justiça. O encontro com o prefeito foi improdutivo e só consegui falar com o secretário de Saúde na segunda-feira seguinte. Para transferir meu filho de hospital contei com conhecidos meus. Meu maior sonho é vê-lo interagindo, andando e recobrando os sentidos que Deus lhe deu. Hoje é um garoto que luta pela vida.
Depois de 58 dias internado no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, o jovem foi transferido na semana passada para a Coordenação de Emergência Regional Nova Monteiro, no Leblon.
Falta de manutenção
O engenheiro Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, conselheiro do Crea, que na sexta-feira visitou viadutos da Zona Norte a convite do EXTRA fez um diagnóstico dramático destas estruturas. Pelos seus cálculos, 90% dos mais de 130 viadutos, pontes e passarelas precisam de manutenção. Ele propõe que parte da arrecadação do IPVA seja destinada a este fim.
No Viaduto do Gasômetro, na altura da Rodoviária Novo Rio, chama a atenção a vegetação que cresce nas juntas. Mesmo problema foi verificado no dia anterior no Viaduto de Benfica. O engenheiro diz que as raízes podem afetar as estruturas, provocando queda de blocos de concreto. A situação mais crítica, no entanto, é a do viaduto férreo do Caju, de responsabilidade da MRS Logística. Ferros aparentes e blocos de concretos que ameaçam cair põem em risco a vida de motoristas e pedestres.
- É um horror - define a moradora Débora Canuto, de 32 anos.
Respostas dos órgãos
A Secretaria municipal de Obras informou que a licitação para as obras no Viaduto de Del Castilho está prevista para quinta-feira. A recuperação estrutural vai custar R$ 1,5 milhão e deve durar 150 dias. A Coordenadoria Geral de Projetos realizará intervenções e outros viadutos, como o Ana Néri. O órgão é responsável pela manutenção e conservação de 139 viadutos e tem um orçamento de R$ 79,5 milhões para 2013. Para este ano ,há obras programadas nos viadutos da estação de São Cristóvão, Castro Alves, da Mangueira (Dona Neuma, Dona Zica e Mestre Cartola), Brigadeiro Trompowisk, Edno Macedo, de quatro pontes sobre o Rio Grande e do Viaduto Ney Pestana de Vasconcelos. O órgão informa que vistorias podem ser solicitadas pelo telefone 1746 da prefeitura.
A empresa MRS Logística informa que a obra de reforma do Viaduto do Caju, já autorizada pela prefeitura, estava prevista para iniciar na última semana. Um pedido de última hora da própria prefeitura exigiu, no entanto, a contratação de outra empresa especializada para serviço adicional. A contratação já foi acertada, e as obras começam nesta semana.
Já a concessionária SuperVia informou que prestou auxílio imediato ao passageiro, que estava na estação de Del Castilho, e que o viaduto é de responsabilidade da Prefeitura do Rio. E a Secretaria de Saúde afirma que Marlon foi transferido para a UTI do CER Leblon, por exigir monitoramento mais intensivo. Seu quadro ainda considerado grave.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/dois-meses-apos-tragedia-em-viaduto-de-del-castilho-estruturas-ainda-oferecem-risco-no-rio-9799386.html#ixzz2dw4g10ZG

Nenhum comentário:

Postar um comentário