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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Imagine uma história de superação - COMPLEXO DO ALEMÃO



Imagine uma história de superação


Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
O nome dele é Márcio Alcântara, 43 anos, morador do Alemão e pintor, que atualmente também trabalha na equipe de conscientização da Lei Seca no Rio.
 Nessa entrevista, Márcio conta toda sua trajetória desde os 21 anos quando sofreu o acidente que o deixou tetraplégico, até o momento em que descobriu seu dom e os obstáculos que enfrentaria até hoje no dia-a- dia.
- “O acidente aconteceu quando saí bêbado de uma festa às 5h da manhã do dia 19 de Julho de 1993. Bebi muito e acho importante dizer isso às pessoas. Fui pra casa e em seguida saí correndo pro trabalho que começava às 7h. No caminho, perdi o controle da moto, estava numa velocidade de 120km/h e bati de frente num carro. Quebrei o pescoço e o fêmur, e também tive traumatismo craniano. Perdi os movimentos do pescoço para baixo e fiquei tetraplégico na hora. Tive lesão incompleta entre a quinta e a sexta vértebra. Se eu não estivesse usando capacete não estaria aqui para contar esta história”, conta Márcio.
Márcio Alcântara, 43 anos, morador do Alemão, pintando com a boca um quadro. - Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
Depois de 15 anos deitado, sem amizades e sem ânimo, Márcio resolveu enfrentar a realidade e foi conhecer um esporte chamado rugby, onde encontrou pessoas com as mesmas dificuldades que ele, e se juntou à equipe. Mas, Márcio foi tão bem recebido que tornou-se atleta paraolímpico. Ele já ganhou até medalhas, mas seu prêmio mais comemorado foi quando recebeu uma homenagem e uma quantia em dinheiro que deu pra comprar sua primeira cadeira de rodas motorizada. Além de motivação pra seguir a vida, Márcio fez muitos novos amigos e até que um deles comentou que a “Operação Lei Seca” estava abrindo inscrição para novos agentes. – “Não perdi a oportunidade, me inscrevi rapidamente e vi que poderia ajudar muitas pessoas a não passarem pelo que passei” – conta Márcio Alcantara que logo foi contratado para trabalhar na blitz da Lei Seca fazendo a chamada “abordagem cidadã”, que tem objetivo de conscientizar as pessoas que dirigem bêbadas.
Nessa trajetória do novo emprego, Márcio se tornou amigo do Jefferson Maia, sua maior motivação para mais tarde iniciar a pintura com a boca. Este amigo insistia muito pro rapaz começar a pintar com a boca, mas ele não queria porque achava que nunca conseguiria fazer isto. Mas de tanto seu amigo insistir, ele resolveu pedir seu primeiro material pela Internet há um ano. Foi uma surpresa para todos porque Márcio fez seu primeiro quadro em um dia, desenhando com a boca, um pôr do sol. Desde então ele não quis mais parar! A arte o ajuda na saúde mental, além de não precisar se deslocar de casa que é uma dificuldade acentuada por conta da inclinação do morro. -“A acessibilidade é dicil no morro todo. Tenho que andar na “pista” porque na calçada quando não tem carros, tem um ambulante. Os únicos lugares que consigo frequentar aqui na comunidade são o Cinema da Nova Brasília e a Praça do Conhecimento. Eu ia ao cinema sempre mas agora com a violência que está aqui, não tenho mais ido”, conta Márcio entristecido.
Com uma vida cheia de surpresas e fé, o artista vem realizando algumas exposições de seus trabalhos artísticos e mostrando seu talento para a sociedade. A próxima etapa que ele pretende alcançar é entrar para APBP (Associação dos Pintores com a Boca e os Pés), da qual seu amigo Jeferson faz parte. Dessa forma poderá viver da pintura. A ajuda diária vem de uma “colaboradora” muito especial, sua mãe Nisete Alcântara, 62 anos, uma senhora divertida, que adora Rock e faz parte do Clube de Moto. Nisete fez enfermagem para auxiliar o filho para quem dedica-se 24 horas por dia. Juntos, formam uma dupla invencível. Uma lição de vida. Um exemplo para você acredite em si e alcance a glória esperada!

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